21 setembro 2017

Hoje, dia 21 de setembro comemora-se 100 anos do nascimento do escritor baiano Herberto de Azevedo Sales. Ele nasceu em Andaraí, Bahia, a 21 de setembro de 1917. Em 1930 mudou-se para Salvador, frequentando o Colégio Antônio Vieira. Voltou depois para Andaraí (1936), onde fez comércio e negócio de madeira, e foi funcionário de cartório. Em 1939 inicia seu contato não escolar com a literatura pela obra de Eça de Queirós, uma de suas prediletas. Lê também, com constância, os autores nordestinos. O ambiente da região fixaria na sua obra ficcional a vida em torno da garimpagem, que o situaria no ciclo da ficção regionalista, com assunto local. Era um ambiente violento, com vida aventureira e histórias cruas de crimes e lutas sobre diamantes e carbonatos. Aí entregou-se às leituras literárias e começou a escrever contos e reportagens sobre a vida da região. Ele iniciou sua trajetória literária com o romance Cascalho (1944). A obra retrata em todos os aspectos a vida nas lavras diamantíferas de Andaraí. São várias narrativas inter-relacionadas, que envolvem coronéis, capangueiros, garimpeiros e representantes de outras atividades, direta ou indiretamente vinculadas ao exercício do poder, como policiais e jagunços.


O cerne do livro é a denúncia da constante exploração que se encontra na base das relações desumanas de trabalho mantenedoras dos privilégios e das arbitrariedades, realizada pelo confronto entre as ações das personagens e não pelo comentário que a elas pudesse ser sobreposto, o que minimiza o mecanismo ideológico e amplia a veracidade das situações e personagens criadas. Pressionado pela repercussão de Cascalho em Andaraí, por retratar criticamente as personalidades da cidade, Herberto Sales transferiu-se, em 1948 para o Rio. E iniciou sua carreira jornalística nos Diários Associados, O Cruzeiro, onde permaneceu até 1973. Em 1951 publicou a segunda versão de Cascalho, revisada e diminuída, pois a primeira tinha mais de 600 páginas.


Com a publicação de Além dos Marimbus, 1961, ele recebeu o Prêmio Coelho Neto da Academia Brasileira de Letras e o Prêmio Paula Brito da Biblioteca Municipal do Rio. Três anos depois é publicada a tradução tcheca de Cascalho. Vários de seus livros são editados no exterior, recebendo versões romena, japonesa, inglesa, italiana, coreana e espanhola, além de edições portuguesas. Após Cascalho e Além dos Marimbus, ambos referentes a Andaraí e suas principais atividades econômicas, Sales editou Dados Biográficos do Finado (1965) Marcelino reportando-se à cidade de Salvador dos anos 30, onde uma burguesia, a princípio florescente, é vista depois em decadência. Em 1966 ele iniciou sua carreira de contista com o volume Histórias Ordinárias, e em 1969, começou sua trajetória como autor de literatura infantil com o livro O Sobradinho dos Pardais. É também de sua autoria os livros A Feiticeira de Salina, A Vaquinha Sabida, O Homenzinho dos Patos (1974), O Casamento da Raposa com a Galinha (1975) e O Burrinho que Queria Ser Gente (1980). Publicou ainda os livros de contos: Uma Telha de Menos (1970), Transcontos (1974) e Armado Cavaleiro e o Audaz Motoqueiro (1980). Publica os romances O Fruto do Vosso Ventre (1976) e Einstein, O Minigênio (1983).


Outros romances: Pareceres do Tempo, A Porta de Chifre, Na Relva de Tua Lembrança, Rio dos Morcegos, Rebanho do Ódio e seu último trabalho, A Prostituta, onde o autor volta a Salvador, onde decorre quase toda a história. Publicou suas memórias em três volumes: Subsidiário - Confissões, Memórias e Histórias; Subsidiário: Andanças por umas Lembranças; e Subsidiário: Eu de Mim com cada Um de Mim. Em 1971 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras e em 1974, assumiu durante onze anos a direção do Instituto Nacional do Livro. Ocupou o cargo de Adido Cultural do Brasil na França. É membro ainda da Academia Maçônica de Letras e da Academia Brasileira de Literatura Infanto Juvenil. Para o Ministério da Agricultura escreveu a monografia Garimpos da Bahia (1955), e editou o ensaio Para Conhecer Melhor Aluísio de Azevedo (1973). Sales detém inúmeros prêmios literários: Luísa Cláudio de Souza (Pen Clube do Brasil, 1966), Jabuti (Câmara Brasileira do Livro, 1977), além da Medalha do Mérito do Estado da Bahia, 1977, e Medalha Euclides da Cunha (Clube do Estado, SP, 1980). Em 1996 recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela UFBA.


Herberto Sales é um escritor que, muito embora se tenha iniciado no encalço da literatura do Nordeste, sem trair suas origens, não se contentou com, achada a fórmula de um garantido sucesso, repeti-la à sociedade. Ao contrário, aventurou-se na busca de temáticas pouco usuais no âmbito da literatura brasileira, sem se despreocupar, em contrapartida, com a manutenção de sua identidade. De Cascalho a O Fruto do Vosso Ventre, um vasto caminho foi percorrido. A diversidade de temas e o tratamento dado a eles colocam em questão justamente o que é central na sua elaboração romanesca: a preocupação constante com o desmascaramento dos motores da sociedade contemporânea. Para isso, não se volta apenas para o passado e para o Brasil desconhecido dos leitores dos grandes centros consumidores (como faz em Cascalho e Além dos Marimbus), mas visa com agudeza à compreensão do presente degradado (Armado Cavaleiro o Audaz Motoqueiro) e se lança para o futuro (O Fruto do Vosso Ventre ou Einstein, o Minigênio) que se vislumbra a partir dos absurdos contemporâneos.



“A característica principal da ficção de Herberto Sales é o mergulho na alma humana. Claro que ele também é mestre em abordar épocas e ambientes, mas, sem dúvida, seu interesse maior é a nossa essência”, escreveu o escritor Ruy Espinheira Filho. Crítico preocupado em remexer as mínimas chagas, Herberto Sales jamais se descuidou da construção rigorosa de suas narrativas, tanto do ponto de vista lingüístico como do estrutural, o que é atestado pelas constantes reelaborações de seus romances, na busca da melhor forma de expressão. Enfim, entrega-se com amorosa dedicação às histórias que conta porque acredita ser esse o seu modo de interferir no andamento do mundo.

20 setembro 2017

Árvores, os pulmões da Terra

O poeta St. John Perse gostava de dizer que todo livro nasce da morte de uma árvore. E como escreve o jornalista Sérgio Augusto, a dívida da palavra impressa com a celulose de que se alimenta é grande. Basta observar que book, bouquin e Buch derivam de boscus, bosque, e livro vem de líber, o tecido condutor da seiva das árvores. Poetas e prosadores utilizaram, a árvore como fonte de inspiração. Pinhos e magnólias eram celebrados por Francis Ponge, o baobá no imaginário de Antoine de St. Exupéry e Roger Caillois, no tronco do ipê de José de Alencar ou no meu pé de laranja lima, de José Mauro de Vasconcelos. E os versos que Drummond criou pensando nas mangueiras de sua infância e nas amendoeiras de sua idade adulta.

E não ficou só na literatura. A árvore encontrou campo fértil na gravura e na pintura a partir do Renascimento. Durer, Bruegel, Corot, Poussim, Cézanne e muitos outros desenharam de tudo quanto é jeito. Nos desenhos animados, Walt Disney é imbatível. As árvores falam e contam todo o seu sofrimento e alegrias com os humanos.


Pulmões da Terra e abrigos seguros, sem as árvores as paisagens murcham e o ar empobrece. Elas nos dão além de brisa e vento, flores, frutas, êxtase, lenha e matéria-prima para uma infinidade de coisas: casas, móveis, papel, rolhas, embarcações, talheres, armas, tamancos, instrumentos musicais, pneus, etc... O biólogo australiano Tim Flannery, autor do livro “The Weather Makers” lembrou que, até hoje, nós mal sabemos o que vem a ser, precisamente, uma árvore. Até duas décadas atrás podíamos estar convencido de sabermos, mas o estudo do DNA balançou todo o conhecimento, colocando o cogumelo mais perto do homem que da couve-flor e provando que a teça, árvore indiana de grande porte, é parente muito próxima do orégamo e do manjericão. Flannery se espanta ao registrar que, ultimamente, os botânicos põem os carvalhos mais ou menos ao lado dos pepinos. Desta forma, as árvores têm uma história épica, com grandes aventuras migratórias gravadas em seu genoma.


Colin Tudge, autor de “The Tree” informa que há espécies que podem ser árvores ou arbustos, dependendo d onde resolvam fincar raízes. Além de árvores que, no passado, foram trepadeiras ou mesmo ervas rasteiras. E árvores já é assunto do momento. Enquanto o inglês Thomas Pakenham retrata com sua câmara Linhof plantas de vários continentes, o engenheiro florestal Harri Lorenzi já está na nova edição de “Árvores Brasileiras”.

Uma pesquisa publicada na Califórnia afirma que remover as árvores do planeta pode esfriá-lo. Segundo o novo estudo, como as florestas são muito verdes e fechadas, elas conseguem absorver mais o calor do sol que outra vegetação, tornando o clima mais quente. As árvores, até hoje, eram consideradas fundamentais por seqüestrar o carbono da atmosfera (presente nas moléculas de CO2 que aquecem o clima).


As árvores se transformaram num símbolo ímpar, apresenta em quase todas as religiões arcaicas. Sejam maias, babilônicos, nórdicos e germânicos representavam com eles o cosmo. Os gregos as veneravam. Os lituanos (antes de serem convertidos ao cristianismo) praticavam abertamente a dendrolatria, o culto à árvore. E até o cristianismo tem uma simbólica macieira em sua mitologia. Suas características morfológicas, sua verticalidade, imobilidade, frondosidade e longevidade, pela força de sua presença e seu poder de regeneração, elas são símbolo impar, presente em quase todas as religiões arcaicas.


As árvores exercem um fascínio imenso sobre nós. No livro “O Homem e Seus Símbolos”, sobre a obra de Carl Gustav Jung, Marie Louise von Franz compara o desenvolvimento do ser humano ao das plantas. A semente contém o futuro pinheiro. Mas reage às circunstâncias, como qualidade do solo e vento, inclinando-se em direção ao sol e modelando o crescimento da árvore. Assim também acontece com o homem, de maneira espontânea e inconsciente, ela escreveu. Os celtas acreditavam que há muito em comum entre as árvores e as características das pessoas. Tanto que criaram um oráculo baseado nas plantas. Há 20 anos, Liz e Colin Murray resgataram esse conhecimento e escreveram The Celtic Tree Oracle, com 24 cartas, que incluem bétula, álamo, freixo, árvores típicas da Europa. Esse oráculo tem relação com o alfabeto celta, e criado pelos druidas com base em gestos dos dedos, conta a pesquisadora Wicca Mirela Fahur, autora do livro O Legado da Deusa. Adaptado para o Hemisfério Sul, o oráculo traz árvores tropicais, como coqueiro e goiabeira. Carvalho, ipê, oliveira e jacarandá representam as pessoas que nasceram em datas especiais de mudança de estação no Hemisfério Norte.


E o nome Brasil foi tirado de uma leguminosa, imortalizamos a chegada da corte de D. João VI com o plantio de uma palmeira imperial, cultuamos o mito de que “nossos bosques têm mais vida” e cultiva,mos o hábito de dar as pessoas e lugares patronímicos como Oliveira, Carvalho, Laranjeiras e Mangueira. Agora falta ter um relacionamento mais afetuoso com as árvores.


18 setembro 2017

Defensores da anarquia: Punks

Guitarras desafinadas, vocais arranhados, linhas de baixo pesadas e baterias grudadas para criar canções que marcaram uma época e, ao longo do tempo, se transformaram em clássicos. Bandas como The Clash, Ramones, Sex Pistols, Buzzcocks, Dead Boys e The Adicts começaram a invadir com sua música as casas de milhares de jovens americanos e britânicos que necessitavam apenas de um empurrãozinho para ir contra o sistema.


Eles defendem a anarquia. O movimento punk surgiu por volta de 1976. Jovens inconformados se rebelaram contra a apatia que dominavam o rock desde o surgimento do gênero progressivo e começaram a formar suas próprias bandas. Pode ser apontado como a primeira tribo urbana a se insurgir contra a aldeia global, recorrendo a dois ou três acordes viscerais, um vocal geralmente gritado, cabelos espetados ou moicanos, e muita raiva. “Anarchy in the UK”, o primeiro sucesso do grupo que se sintetiza essa estética, os Sex Pistols, detona a anarquia nas terras da rainha da Inglaterra e espalha a revolta estética dos punks pelo mundo.


O punk é uma música simples, de poucos acordes e um vocal geralmente gritado. Os temas das músicas giram em torno de problemas sociais. Bandas como Ramones, Clash, Sex Pistols e Damned arregimentaram um grande número de fãs. No Brasil, só dois anos depois surgiram os primeiros bandos punks, na periferia de São Paulo e do Rio de Janeiro, entre jovens desempregados e sem perspectivas, “oprimidos pela selvageria urbana”, como os define o criador de Bob Cuspe, o mais famoso punk brasileiro, o cartunista paulista Angeli. Bandas como Os Inocentes, Ratos do Porão, Coquetel Molotow entre outros representam o movimento.


Na Bahia, os integrantes do movimento punk se reuniam todos os domingos pela tarde na Praça da Sé. E nos dias de semana faziam seu point na Praça da Piedade onde se juntaram para conversar e vender bottons. Jorge Luís Araújo, o Paquito, na época 15 anos, disse que se envolveu na turma através da música. Depois, com os shows dos Garotos Podres e outros punks. A família interfere, “mas não tem agressão física, só discórdia, crítica”. Ao contrário do que muita gente imagina, a maioria estuda de manhã e trabalha à noite e, como muitos deles moram em bairros distantes, escolheu a Piedade como local de reuniões que começam a partir das 19 horas. Idealistas, desejam um mundo igualitário, sem comandantes. Por isso, aproveitam o movimento da praça para espalhar panfletos nos quais fala a doutrina punk. Existe a gangue Verme do Sistema que são os garotos menos rotulados, não utilizam a indumentária (roupas pretas e cabelos a la moicanos) comum aos outros. Nas outras gangues os componentes são conhecidos pelos apelidos de Morcego, Olho Seco, Pobreza e Minério.

Cabeças Raspadas

Os skinheads ou carecas, também originários da Inglaterra, surgiram para fazer frente ao movimento hippie, desaparecido no começo dos anos 70. Dissidentes do movimento punk têm uma ideologia neonazista e pregam a violência. São rivais dos fãs do heavy metal. A reativação dos cabeças raspadas acontecia na esteira do movimento punk. Pregavam o nacionalismo puro, era,m acusados de neonazistas e se contrapunham aos próprios punks, chamados por eles de “vendidos ao sistema” e não-politizados. Os skinheads são do tipo que batem no peito e se orgulham de ser operários. Eles geralmente trabalham em indústrias ou construções. São machistas ao extremo e não gostam de quem usa o visual militar sem pertencer cão movimento. Estima-se que a na década de 90 em São Paulo – seu principal núcleo – existiam por volta de 500 skinheads.Cabeças raspadas – por máquina dois --, tatuagens, coturnos pretos, calças justas, suspensórios e camisas de algodão formavam o visual da tribo. A música tem um ritmo semelhante ao rock metaleiro. Antes, eles tinham uma bandeira na cidade: Bandeira de Combate. São fãs de hardcore, música executada com muita velocidade e peso. Eles não bebem, não fumam e abominam tóxicos. A terapia de contra-ataque aos grupos opositores ao seu radicalismo é a violência. Quase todos praticam musculação. “Não dá para dizer que a gente é pacifista quando se vive em uma sociedade violenta”, diz um dos carecas mais tradicionais da cidade.


Quem mais sofreu nas mãos dos carecas foram os grupos heavy metal e os darks, considerados por eles contestadores de botique. São poucas as garotas que se integraram à tradição de violência dos carecas. Todos são bastante jovens. A maioria mora no subúrbio e na Cidade Baixa. Eles se reuniam às sextas-feiras no QG improvisado num bar do Politeama de Cima. O bairro da Massaranduba tem um grande número desses adeptos, que muitas vezes ficam no Campo Grande aos domingos, em frente ao Teatro Castro Alves. Usam apelidos como Cafox, Dengue, Infortúnio entre outros para serem identificados em grupos. Eles vivem espalhados pela cidade, pregando as idéias de Hitler como herói e justificando as atrocidades atribuídas a ele como manipulação da imprensa sionista. Seu lema: “Tudo pela nossa Pátria, o Brasil. Abaixo os judeus, comunistas e homossexuais. Hitler era um grande homem”. Adotam uma filosofia nazista que preferem ocultar sob o nome de nacionalista. (Gutemberg Cruz. Tribos urbanas 2. Reportagem publicada originalmente no jornal A Tarde, 16/06/1991)


15 setembro 2017

“Só uma minoria tem segurança jurídica no país”

Em uma reportagem do jornal Correio, a jornalista Júlia Vigné publicou: Justiça baiana é a mais ‘emperrada’ do país, aponta relatório do CNJ http://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/justica-baiana-e-a-mais-emperrada-do-pais-aponta-relatorio-do-cnj/ 12.09.2017). Diz a reportagem:

O Tribunal de Justiça do Estado (TJ-BA) é o campeão em taxa de congestionamento de processos no Brasil. Com 83,9% em 2016, o TJ-BA é a Corte que tem maior dificuldade em lidar com o estoque de seus processos, de acordo com o relatório Justiça em Números, divulgado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) na semana passada. A taxa mede o percentual de casos que permanecem sem solução ao final do ano, em relação aos autos que estão pendentes e os que foram solucionados. A média nacional da Justiça estadual é de 75,3% de congestionamento, sendo o TJ-BA o pior dos 27 tribunais. O melhor desempenho é da Corte do Amapá, a melhor, com 46,8% de índice.


O cenário na Bahia é mais crítico no primeiro grau, em que grande parte dos cidadãos entra com ações na Justiça. Nessa instância, o grau de congestionamento bruto é de 85%, frente à média nacional de 77%. No segundo grau, em que os tribunais de Justiça julgam recursos dos casos analisados pelos juízes na primeira instância, a situação é melhor: o índice é de 60%, mas ainda é bem abaixo em relação ao índice médio das justiças estaduais, que é de 49%.

O tempo que os magistrados baianos levam para dar a sentença dos processos no primeiro grau é o segundo pior do país: em média, demora-se 4 anos e 3 meses na Bahia. O número só está atrás do tempo levado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), que leva 4 anos e 4 meses. A média nacional dos 27 tribunais é de 3 anos e 2 meses no primeiro grau. A situação na Bahia melhora no tempo médio do segundo grau, que é de 7 meses, a mesma média nacional”


No dia seguinte o Correio publicava Ações por não pagamento de tributos são 'vilãs' em congestionamento do TJ-BA (http://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/acoes-por-nao-pagamento-de-tributos-sao-vilas-em-congestionamento-do-tj-ba/:

“A Corte baiana é a maior em taxa de congestionamento do Brasil, com 83,9%, de acordo com o relatório Justiça em Números, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A taxa mede o percentual de casos que ficam sem solução no fim do ano, em relação aos processos que estão pendentes e os que foram solucionados. Do total de mais de 4 milhões de processos do TJ-BA, em 2016, 1.250.178 ações eram de execuções fiscais.

“O TJ-BA é o terceiro tribunal com mais execuções fiscais pendentes, estando atrás da corte paulista, que possui 11.494.305 processos, e do TJ-RJ, com 6.390.552. A taxa de congestionamento das execuções fiscais da corte é de 91%, acima da média nacional de 90%. Mesmo com o número alto, sete tribunais estaduais têm congestionamento maior”.

Em 2008 os jornais baianos estampavam manchete dos desembargadores suspeitos de participar de comércio de decisões judiciais, que resultou na prisão de quatro advogados e serventuários. Os magistrados do Tribunal de Justiça da Bahia foram presos na operação batizada de Janus (o deus romano dos portões e portas). Ainda em 2008 no Centro de Convenções, a então ministra Eliana Calmon, do Supremo Tribunal de Justiça, foi ovacionada ao criticar a postura de colegas da magistratura, que estariam “blindando” bandidos do colarinho branco e do crime organizado com liminares, para que estes não sejam presos. Ela foi uma das oradoras na abertura do seminário Segurança Pública e Promoção da Igualdade, Direito e Responsabilidade de Todos Nós.


Eliana Calmon disse que as decisões judiciais deixam o povo confuso: “Um juiz concede liminar, outro caça, e o povo não entende nada”. Ao defender a tolerância às diferenças e a igualdade de direitos, a ministra disse que o Judiciário “não é mais aquele cavalo de pedra que apenas assistia a tudo e simplesmente aplicava as leis. Agora, tem fundamental importância na cobrança de políticas públicas ao Estado” (A Tarde, 08/08/2008)


Nesse mesmo período o jornal Folha de S. Paulo (03/08/2008) publicava: “Só uma minoria tem segurança jurídica no país, diz delegado”. A opinião é de Prótegenes Queiroz que admite blindagem de escritório de advogado, mas diz que “não se pode proteger exercício da advocacia criminosa”. Segundo ele, “a sociedade não se sente segura juridicamente. Porque hoje a segurança jurídica está despolitizada para uma minoria privilegiada no país, não para a maioria da população. A maioria é despolitizada mesmo. É punida mesmo. É só ver quantas pessoas que recorrem ao Judiciário têm sua demanda atendida rapidamente”.



O colunista Alex Ferraz na Tribuna da Bahia (02/03/2008) comentou: “A Justiça brasileira nunca falha na sua tradição de estender de tal forma os prazos de julgamentos que, muitas vezes, acusados e acusadores morrem antes de findar um processo. Pois é: nunca falha, sempre tarda”.

13 setembro 2017

Há 60 anos surgia os Beatles

Tudo começou em Liverpool, 1957. John Lennon se junta com alguns de seus melhores amigos e no espírito da brincadeira cria os The Black Jacks, nome inicial da banda que mais tarde viria a se tornar uma das melhores bandas já vistas e ouvidas.  Mais tarde com o nome “The Beatles” iniciaram sua jornada que marcaria a historia do rock. Em 1963 iniciaram a gravação de seus álbuns de estúdio, “Please Please Me” foi o primeiro lançado no Reino Unido, com 14 canções, sendo 8 da autoria de Lennon e McCartney

Mas o que eles fizeram de tão importante ? Eles ultrapassaram a barreira do tempo e do espaço. Fonte de influência musical e comportamental para todas as gerações nos quatro cantos do mundo.

Os Beatles foram os primeiros músicos responsáveis por fazer com que o culto às personalidades passasse a permear o imaginário público, utilizando os meios de comunicação como poderosos aliados. Seu legado ultrapassou fronteiras,. classes, religiões, diferenças culturais difíceis de forma particular. Vamos citar alguns exemplos:


Lançou o primeiro álbum conceito da história (Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band). Um disco com uma temática própria, a determinar o conteúdo e a ordem das canções. A ideia seria copiada por artistas como Pink Floyd (The Wall) e The Who (Tommmy).

Eles inventaram os shows de rock em estádios – só assim conseguiram dar conta de tocar para as multidões que queria ver o grupo nos EUA.

Antes deles, ninguém acreditaria que uma banda podia encher um lugar tão grande. Em 1965, o quarteto abre seu turnê no Shea Stadium.


A fase em que o grupo foi para a Índia impulsionou deste lado do planeta um interesse inédito pelas tradições orientais e influenciou conversa de bar à moda, decoração e a vinda de incenso.

Foram os precursores de imagem do roqueiro de cabelo comprido.


Eles se tornaram fenômeno de licenciamento da marca em uma época em que esse tipo de negócio ainda nem existia.

09 de fevereiro de 1964 os Beatles se apresentaram ao vivo no The Ed Sullivan Show. A transmissão televisiva alcançou recorde de mais de 73 milhões de pessoas.


Enquanto estavam tocando seu iê iê iê, quase não tinha havido crimes na cidade. Os bandidos eram fãs também.



Com Lennon & McCartney, uma mistura de similares e diferenças, surgiu a combinação capaz de criar o pop perfeito. O lirismo de ambos se movia entre a doçura de McCartney e o desespero de Lennon. Entre a habilidade melódica de Maca e as letras poéticas de John.

06 setembro 2017

Brasil tem 19 milhões de aposentados


O Brasil tem hoje pouco mais de 19 milhões de aposentados pelo INSS, segundo a Secretaria da Previdência Social. Atualmente, o brasileiro se aposenta, em média, aos 58 anos. De cada três aposentados, dois ganham um salário mínimo.

Alguns optam também por poupar dinheiro como forma de ter segurança nessa fase de suas vidas, mas ainda estão em número reduzido: entre 10 trabalhadores autônomos, apenas três estão poupando para suas aposentadorias. Entre os trabalhadores de baixa renda, esse número é ainda menor: três entre cada 20 pessoas poupam algum dinheiro como segurança para quando pararem de trabalhar (dados do BID).


No Brasil não há formatação de políticas públicas concretas e funcionais para a terceira idade. Além disso, a palavra aposentadoria vem de aposento, aquele cômodo no fundo da casa, escondido. Assim é o aposentado em nosso país, não tem mais direito de participar da sociedade.

O ser humano vai para a escola e fica lá um bom tempo, aprende um ofício e começa a trabalhar em tempo integral. Ao chegar aos 50 ou 60 anos ele ainda trabalha, cuida dos pais, sogra e, em determinado momento se aposenta. Abruptamente, afinal trabalhou por muito tempo. Quem trabalhou o dia inteiro e acorda aposentado dificilmente terá direito de participar da sociedade. Por isso, é preciso se preparar, dar a volta por cima e encontrar um caminho alternativo. A vida é um contínuo aprendizado.


Neste século 21, por exemplo, ninguém começará numa profissão e chegará aos 71 anos sendo a mesma coisa, vai ter de se diversificar e encontrar alternativas por causado volume e das mudanças provocadas pela tecnologia.

A primeira revolução industrial foi dominara energia, a segunda foi massificar a produção, a terceira foi a digitalização e agora estamos vivendo a quarta revolução industrial, a sinergia, tecnologia conversando com a outra.


Em 1960, o Brasil tinha pouco mais de 3 milhões de idosos. Em 2010, já eram quase 20 milhões. Nesses 50 anos, ao mesmo tempo em que a população se urbanizou, a taxa de fecundidade caiu. De mais de seis filhos, em média, por mulher, pra menos de dois.

“O envelhecimento populacional já ocorre no Brasil em um ritmo acelerado. Essa é a nossa grande característica própria dessa dinâmica demográfica no século 21”, explica Jorge Félix, professor de Economia da Longevidade na USP.

A França levou 145 anos para dobrar a população de idosos. No Brasil, isso vai acontecer em apenas 25 anos, segundo as estimativas da Organização Mundial da Saúde. “É o envelhecimento mais rápido no mundo, mas nós estamos envelhecendo ainda com pobreza. Os países desenvolvidos primeiro enriqueceram pra depois envelhecer, essa que é a grande diferença e o grande desafio para o Brasil”, avalia Alexandre Kalache, presidente do Centro de Longevidade Brasil.


Os sinais de envelhecimento começam no corpo da gente, bem aos poucos. É difícil perceber. Mas uma roupa especial ajuda. Ela deixa tudo mais pesado, como se tivesse menos força. E limita os movimentos. Além disso tudo, dessa falta de mobilidade, os idosos ainda têm problema com a visão. Os óculos, também especiais, tiram completamente a visão periférica. Você só consegue ver o que está na frente.

A calçada poderia estar em qualquer cidade brasileira. Mais um desafio: atravessar a rua na faixa de pedestre no tempo que o sinal de pedestre dá. Já era pouco tempo e foi preciso esperar três carros passarem. A conclusão é que é muito difícil e perigoso andar numa calçada como essa cheia de degraus, cheia de buracos, não é à toa que tantos idosos se acidentam nas cidades brasileiras.


Isso é apenas uma pequena fatia das dificuldades dos idosos no Brasil....

05 setembro 2017

Envelhecer com dignidade

Quando o Brasil tinha menos de dois milhões de pessoas com mais de 60 anos, em meados do século XX, Cecília Meireles escreveu este poema: “Eu não tinha este rosto de hoje,/ Assim calmo, assim triste, assim magro,/Nem estes olhos tão vazios,/Nem o lábio amargo.//Eu não tinha estas mãos sem força,/Tão paradas e frias e mortas;/Eu não tinha este coração/Que nem se mostra.//Eu não dei por esta mudança,/Tão simples, tão certa, tão fácil:- em que espelho ficou perdida/A minha face?”


Naquele tempo a face da velhice era escondida do mundo. Velho ficava em casa, sem muita serventia. Para muitos a velhice era cruel. Com o tempo, perde-se células cerebrais, força muscular, capacidade de enxergar de perto, a pele fica mais fina, os ossos mais frágeis, não se percebe os sons mais agudos e os cheiros mais sutis. Fica-se mais lentos e sente-se mais frio.

Até o início do século 20, a média de duração da vida, nos países desenvolvidos, mal chegava aos 40 anos. O saneamento básico, as vacinas, os antibióticos, todo o progresso da ciência mudou radicalmente esse quadro. A partir do século 20a expectativa de vida aumentou de 40 para 70 anos de idade. O Brasil é um dos dez países do mundo com maior número de pessoas acima de 60 anos: 26, 1 milhões em 2013. Entre 2005 e 2015, a proporção de idosos de 60 anos ou mais, na população do País, passou de 9,8% para 14,3%. Os dados são do estudo “Síntese de Indicadores Sociais (SIS): uma análise das condições de vida da população brasileira 2016”


É a faixa etária da população que mais cresce. Chegar ativo aos 80 anos não é só um privilégio. É uma conquista diária de todos aqueles que não se intimidam com a idade. Nos últimos 60 anos, a face da velhice não parou de mudar, cada vez mais exposta ao mundo.

Por sua expressiva participação e atividade na sociedade, quer direta ou indiretamente, o idoso não pode ficar à margem da vida nacional. Os desafios trazidos pelo envelhecimento da população têm diversas dimensões e dificuldades, mas nada é mais justo do que garantir ao idoso a sua integração na comunidade. A Política Nacional do Idoso estabelecida através da Lei nº 8.842 de 04.01.94, e regulamentada pelo Decreto nº 1.948, de 03/07/96, objetiva colocar em prática, ações voltadas, não apenas para os que estão velhos, mas àqueles que vão envelhecer, no sentido de garantir melhor qualidade de vida ao idoso.



Este diploma legal prevê a co-participação dos conselhos nacionais, estaduais e municipais na promoção social em relação ao idoso, bem como lista as competências das várias áreas e seus respectivos órgãos, como a saúde, educação, habitação etc. Nesta relação do que compete às entidades públicas, encontram-se importantes obrigações, como estimular a criação de locais de atendimento aos idosos, centros de convivência, casas-lares, oficinas de trabalho, atendimentos domiciliares e outros; apoiar a criação de universidade aberta para a terceira idade e impedir a discriminação do idoso e sua participação no mercado de trabalho. Entretanto, a legislação existente, embora farta e detalhada, não tem sido eficientemente aplicada. Isto se deve a vários fatores, que vão desde contradições dos próprios textos legais até o desconhecimento de seu conteúdo.


Na análise de muitos juristas, a dificuldade de funcionamento efetivo daquilo que está disposto na legislação está muito ligada à tradição centralizadora e segmentadora das políticas públicas no Brasil, que provoca a superposição desarticulada de programas e projetos voltados para um mesmo público. A área de amparo à terceira idade é um dos exemplos que mais chama atenção para necessidade de uma intersetorialidade na ação pública, pois os idosos muitas vezes são “vítimas” de projetos implantados sem qualquer articulação pelos órgãos de educação, de assistência social e de saúde.


O envelhecimento da população influencia no crescimento econômico, investimentos e consumo, mercado de trabalho, transferência de capital e propriedades, pensões e impostos, assim como, na assistência prestada de uma geração a outra. O envelhecimento da população também afeta a saúde e a assistência médica, a composição e organização da família, a casa e as migrações. No plano político, o fenômeno do envelhecimento da população interfere nos processos eleitorais e na representação parlamentar, já que as pessoas de idade lêem mais, assistem aos noticiários, se mantêm informadas e votam num percentual mais elevado que qualquer outra faixa etária. Hoje em dia, é inegável, que os idosos representam uma força de trabalho que cada vez mais está sendo reconhecida. São milhares deles que viajam pelo mundo todo, fazendo surgir, por exemplo, agências de turismos, hotéis e casas de espetáculos especializados na terceira idade, o que significa um grande potencial econômico.

31 agosto 2017

Há 50 anos Caetano Veloso lançava o disco Domingo (02)

Rebelde, polêmico e provocante por natureza, ele foi o símbolo maior da contracultura nas décadas de 1960 e 1970, ao lado de Gilberto Gil, de um dos movimentos mais significativos da história da MPB, o Tropicalismo.


Caetano Veloso comemora neste 2017, 50 anos do lançamento do seu primeiro disco, Domingo, lançado em 1967. Ainda em 2017 ele compõe para primeiro disco de músicas inéditas em cinco anos. O repertório do primeiro álbum de músicas inéditas do artista desde Abraçaço (2012).



1981 - Outras Palavras. Primeiro disco de ouro (cem mil cópias vendidas). Tem Outras palavras, beleza pura, Rapte-me camaleoa.

1981 - Brasil, com João Gilberto, Gilberto Gil e Maria Bethânia. Os discípulos se reúnem com o mestre em pura celebração à bossa nova: No tabuleiro da baiana se destaca.


1982 - Cores, Nomes. Tem Ai ele me deu um beijo na boca, Trem das cores, Um canto afoxé para o bloco do Ilê e Sonhos.

1983 – Uns. Tem Peter Gast, Eclipse oculto e Uns

1984 – Velô, registro crítico do processo de redemocratização do país. Tem O homem velho, Língua, Podres poderes, Quereres.


1986 - Totalmente Demais, ao vivo. Único disco de platina (250 mil cópias vendidas). Tem Kalu, Calunia.

1986 - Caetano Veloso. Tem Luz do sol, Cá já, Saudosismo.

1987 – Caetano. Tem Eu sou neguinha, Fera ferida, O ciúme.


1989 – Estrangeiro. Tem Os outros românticos, Estrangeiro e Meia lua inteira, um prólogo do estouro da axé music.

1990 – Caetano Veloso. Releituras acusticas de hits do artista e Billie Jean, de Michael Jackson.

1991 – Circuladô. Tem Fora da ordem, Itapuã, O cu do mundo, Circuladô de fulô.

1992 - Circuladô Vivo. Tem A tua presença morena, Quando eu penso na Bahia, A terceira margem do rio.


1993 - Tropicália 2, com Gilberto Gil. Tem Haiti, Cinema novo, Nossa gente (avisa lá), Rap popcreto, Desde que o samba é samba.

1994 - Fina Estampa. Obra requintada e delicadamente orquestrada por Jaques Morelenbaum. Inteiramente em espanhol, o cantor dá nova roupagem a guarânias, boleros e rumbas.

1995 - Fina Estampa ao Vivo. Tem O samba e o tango, Lamento Borincano, Fina estampa, Cucurrucucu Paloma.

1996 - O Quatrilho, trilha sonora


1996 - Tieta do Agreste, trilha sonora

1997 – Livro. Tem Os passistas, O navio negreiro, Doideca e Um Tom.

1998 – Prenda Minha. Tem Jorge da Capadócia, Meditação, Drão, Esse cara e A luz de Tieta.

1999 – O maggio a Federico e Giulietta. Ao vivo. Tem Que não se vê, Lua lua lua lua, Come prima, Giulietta Masina.

2000 – Noites do Norte. Tem Zumbi, Rock´n´Raul, Michelangelo Antonioni, Cantigade boi.

2001 – Noites do Norte ao vivo. Tem Escândalo, Samba de verão, Magrelinha.

2002 – Eu não peço desculpa. Tem Todo errado, Feitiço, Manjar de reis, Tarado.


2004 – A Foreign Sound. Reúne 23 canções de diferentes estilos e fases, de Cole Porte, os irmãos Gershwin, a Bob Dylan e Kurt Cobain.

2005 - Caetano Veloso – Onqotô. Assinada por Caetano Veloso e José Miguel Wisnik, a trilha sonora tem como ponto de partida uma bem-humorada discussão sobre a “paternidade” do Universo. 

2006 – Cê. Primeiro dos três álbuns de Caetano com a Banda Cê. Tem Minhas lágrimas, Rocks, Deusa urbana e Waly Salomão.

2009 - Zii e Zie. Título italiano que em português significa Tios e Tias. Álbum venceu o Grammy Latino de Melhor Álbum de Compositor do ano e a música "A Cor Amarela" foi indicada a melhor canção brasileira do ano.

2012 – Abraçaço. Em 2013, o álbum foi premiado com o Grammy Latino de Melhor Álbum de Compositor. Na mesma premiação, a música "Um Abraçaço" foi indicada a melhor gravação, canção do ano e melhor música brasileira. No ano seguinte, uma versão ao vivo da canção "A Bossa Nova é Foda" foi indicada para o Grammy Latino de Canção do Ano e Melhor Canção Brasileira. O disco foi eleito o melhor álbum nacional de 2012 pela revista Rolling Stone Brasil e "A Bossa Nova é Foda" foi considerada a terceira melhor música nacional do mesmo ano pela publicação.

2015 - Dois Amigos, Um Século de Música. Gravação da turnê comemorativa de 50 anos de carreira dos cantores brasileiros Caetano Veloso e Gilberto Gil. São 24 hits dos dois artistas.





30 agosto 2017

Há 50 anos Caetano Veloso lançava o disco Domingo (01)

Primeiro artista brasileiro a ter todos os LPs em laser (na época, 1991), ele lançou no país a estética tropicalista, o reggae e a juju music. Caetano Veloso é considerado um dos artistas brasileiros mais influentes desde a década de 1960, tendo já sido chamado de "aedo pós-moderno". Em 2004, foi considerado um dos mais respeitados e produtivos músicos latino-americanos do mundo, tendo mais de cinquenta discos lançados e canções em trilhas sonoras de filmes como Hable con Ella, de Pedro Almodovar e Frida, de Julie Taymor. Ao longo de sua carreira, também se converteu numa das personalidades mais polêmicas e com maior força de opinião no Brasil. É uma das figuras mais importantes da música popular brasileira, e considerado internacionalmente um dos melhores compositores do século XX, sendo comparado a nomes como Bob Dylan, Bob Marley, John Lennon e Paul McCartney.


1967 - Domingo, com participação de Gal Costa. Tem Coração Vagabundo, Um dia e Candeias. Clima de bossa nova. 

1968 - Caetano Veloso. Clássico tropicalista, com Tropicália, Alegria Alegria, Superbacana e Soy Loco por Ti America.


1968 - Velloso/Bethânia/Gil, coletânea, com Maria Bethânia e Gilberto Gil

1968 - Tropicália ou Panis et Circencis. Disco manifesto ao movimento tropicalista, gravado ao lado de Gil, Gal, Tom Zé, Mutantes e Nara Leão. Caetano brilha em Coração materno, Baby (dueto com Gal) e Enquanto seu lobo não vem.

1969 - Caetano Veloso. Gravado só com Gil ao violão. Tem Os argonautas, Carolina, Filhos de Gandhi, Irene. Marca o fim do Tropicalismo.

1971 - Caetano Veloso. Primeiro do exílio em Londres. Tem London London, Maria Bethânia, A Little More Blue e Asa Branca.


1972 - Barra 69. Gravação ao vivo do show de despedida de Caetano e Gil. Tem Madalena, Atrás do Trio Elétrico.

1972 – Transa. O clima ainda é de exílio. Tem Nine out of ten (primeira vez que uma música brasileira toca alguns compassos do reggae), Triste Bahia, Mora na filosofia.

1972 - Chico e Caetano Juntos e ao Vivo. Tem Deus dará, Você não entende nada, Cotidiano. “O disco traz cortes feitos pela censura como no verso ‘na barriga da miséria/nasci brasileiro’, que o ‘brasileiro’ foi cortado. Depois Chico colocou ‘batuqueiro’ no lugar. O show fez muito sucesso. E o disco também”, revelou o artista.

1973 - Araçá Azul. Disco experimental. Tem Tu me acostumbrastes, De conversa. O maior recorde de devolução de discos da MPB.

1974 - Temporada de Verão ao Vivo na Bahia. Disco coletivo de shows no Teatro Vila Velha ao lado de Gal e Gil. Tem O relógio quebrou, Felicidade e De noite na cama.

1975 – Jóia. Tem Na asa do vento, Minha mulher.


1975 - Qualquer Coisa. Tem a letra mais abstrata do Brasil, cheias de referências (Qualquer coisa) e Canto do Povo de um Lugar.

1976 - Doces Bárbaros, ao vivo. Álbum duplo com Gal Costa, Gilberto Gil e Maria Bethânia. Destaques: Chuckberry Fields Forever e Os Mais Doces Bárbaros.

1977 – Bicho. Tem Odara (confissão de namoro com as discotecas). Traz pela primeira vez a juju music para o Brasil em Two Naira fifty kobo, Um índio, Leãozinho, Tigresa. “Esse disco, cuja capa foi feita por mim, tem ecos do Joia. Lança a canção Odara, que deu muito o que falar, que talvez já trouxesse uma batida funk e que afirmava todo esse negócio da música de dança e de divertimento. Foi muito criticada, muito combatida como uma espécie de manifesto da alienação. Nessa época, havia uma espécie de raiva de mim pelo fato de eu não ser ‘de esquerda’.”, revelou.

1977 - Outros Carnavais... Reunião de canções carnavalescas como Chuva suor e cerveja, Deus e o Diabo e Atras do trio eletrico.

1978 - Muito - Dentro da Estrela Azulada. O disco mais pichado pela crítica, fracasso de vendas. Tem o clássico Sampa, Terra, São João Xangô Menino

1978 - Maria Bethânia e Caetano Veloso ao Vivo. Os irmãos se encontram no palco. O dueto em Maninha é um dos momentos mais felizes. Tem ainda Número um.

1979 - Cinema Transcendental. Com a Outra Banda da Terra. Tem Cajuína, Oração ao Tempo, Lua de São Jorge.